O caderno

setembro 6th, 2011 § Deixe um comentário

O caderno estava no canto escuro e sem iluminação do quarto, nele estavam escritos anos de sentimentos, de história de dores e amores.
Lá estavam as palavras que me perseguiam todos os dias ao levantar e ao ir dormir.
Olhei e olhei e não sabia o que fazer, não sabia se devia simplesmente sentar e aceitar a minha dor ou encarar tudo como um recomeço, mais um, depois de tantos.
Pensei em abri-lo, mas tive medo, subitamente uma sensação de desespero tomou conta de mim. Deveria mesmo encarar novamente toda a dor? Deveria abri-lo e aceitar as palavras como uma parte de mim?
Deveria continuar a escrever a história que eu mesmo tinha colado um fim?
Eu sabia que elas estavam lá, e que juntas aquelas letras contavam sobre minhas lágrimas, sobre minha coragem e meus medos… Mas eu me lembro bem de todas elas foram escritas em mim como facas perfurando a pele, e então finalmente assumi, eu estava assustada,  muito assustada.
Lá estava eu no canto escuro com o caderno na mão e muitas duvidas na cabeça, encarar aquelas palavras na verdade significava que estava na hora de aceita-las e seguir em frente escrevendo novas histórias dia após dia.
Em minhas mãos eu podia sentir o peso da minha vida da minha história, ao finalmente abrir pude ver todas as paginas manchadas com lagrimas e escritas com sangue. Deixei que mais uma lágrima manchasse o caderno, li sobre meu amor e toda dor que ele me causou, li sobre minha família, sobre minha luta constante para sobreviver em meio a tudo que eu considerava tão assustador.
Quando já não aguentava mais ler e meus olhos já não aguentavam mais chorar percebi que mesmo em meio a tanta dor eu sempre estive ali, não só pedindo um pouco de ar e sim lutando para conseguir o meu ar. Não era muito, mas era tudo que eu tinha, eu tinha…  esperança.
Então mesmo que eu não saiba se futuramente poderei escrever sobre alegria ou sobre risadas, eu continuarei aqui.
Enquanto puder respirar vou transformar as emoções em palavras para que elas falem por mim tudo que eles não conseguiram entender.
Sei que é difícil ter coragem quando tudo se quer é deitar e descansar, mas agora eu sinto que eu tenho que continuar.
Não é a hora de desistir de lutar.

Estágios

fevereiro 18th, 2009 § 8 Comentários

Respiração ofegante.
Pulso descontrolado
Coração descompassado.

Medo, raiva, confusão!

Dor, perda.

Sonhos, ilusões, desilusões.

Desapego…
Amor, alegria, felicidade

Esperança.

Um novo começo?

Onde estou?

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