Surto

setembro 11th, 2011 § 1 Comentário

Um texto por ” o amigo “
E estou abalado com pensamentos insignificantes, a chuva acima da minha cabeça, trovões dentro do meu peito. Eu preciso te perguntar algo muito sério, você consegue me desenhar? Eu preciso ver como você se sente. Eu preciso ser o que você sente, meus olhos explodem, minha vida explode. E eu sinto tudo
ao mesmo tempo, isso está me matando. Não consigo recitar seu sorrisos, os quais nunca vi.
Há milhões de paredes na minha frente, você vê o mesmo? Sim, eu escrevo isso pensando em você. Já percebeu?
Acho que você também já percebeu como eu odeio ser presunçoso. Eu sempre presumo errado, sempre.
Isso é sempre ruim. A mesma desculpa não vai adiantar duas vezes.
É por isso que prefiro esperar que você goste de mim, o problema é que isso nunca dá certo. Eu não sou bom o bastante para te atrair para mim,
eu sei disso, mas mesmo assim ainda espero que você goste de mim. Isso parece utópico, mas é assim que eu penso.
Na verdade é assim que a vida me ensinou a pensar. Eu posso dizer isso para você outras vezes.
Guardo meus poemas debaixo do meu amor por você. Eu só consigo ver a luz em que você está; eu só consigo sentir as palavras que você diz, mesmo nunca tendo as escutado. E então eu acordo e penso: isso já virou clichê pra mim, e lembro que das ultimas vezes isso não deu certo. Nunca dá. Eu me sinto miserável, e isso é maravilhoso.
Tudo me faz lembrar de como você faz as coisas, você, em algum lugar, com alguma coisa, de algum jeito me faz sentir em um plasma infinito de boas lembranças, você me faz bem.

A estação

setembro 8th, 2011 § 3 Comentários

A estação começou a ficar cheia de pessoas que voltavam para casa. As calçadas estavam encharcadas por causa da chuva, o ar estava impregnado com o inconfundível aroma de um dia molhado, estava frio.
Até esse momento, a possibilidade de que o trem pudesse atrasar nem havia passado pela minha mente, o que fez meu mal-estar aumentar. Finalmente o trem partiu, e num piscar de olhos os prédios começavam
a desaparecer no horizonte.
O tempo que levou para ir de uma estação até outra parecia uma eternidade, com paradas incrivelmente longas. O horizonte invisível pelo inverno, a caminhada do tempo, a fome angustiante, todas essas coisas aos
poucos enfraqueciam meu coração
Neste momento, ela deve ter começado a se preocupar. Aquele dia que recebi sua ligação, o fato de não ter dado nenhuma palavra de consolo, ainda que eu estivesse inundado por uma tristeza bem maior que a dela,
é algo que sinto muita vergonha.
Escrevi uma carta para lhe entregar no momento em que chegasse, para expressar sentimentos que talvez eu não conseguiria falar, coisas que ela teria que sentir sozinha.
Finalmente o trem chegou, com seu momentâneo atraso de 3 horas e alguns minutos, e lá estava ela, ainda me esperando. “Logo fecharemos a estação, não circulam mais trens” disse o homem.
Saímos andando, e lá estava, a árvore da nossa infância, a cerejeira, que de alguma forma lembrava a neve caindo. Naquele momento, no fundo de nossos corações, nossos sentimentos ficaram nítidos para mim.
Foi como se eu tivesse entendi tudo o que havia acontecido comigo nos últimos 16 anos de vida.
E também os instantes que estavam por vir. Me tornei insuportavelmente triste, o calor dela, como deveria trata-lo? Onde poderia leva-lo?
Era algo que eu desconhecia, o fato de que não poderíamos ficar juntos para sempre depois do que estava prestes a acontecer. Isso era algo que
ela obviamente compreendia. As imensas vidas que teríamos frente a nós. A infinita quantidade de tempo que passava inevitavelmente, se prolongava ao momento em que nossas cabeças se aproximavam.
As preocupações que eu tinha em mente desapareceram, e só o que permaneceu foram os ternos lábios dela. Aquela noiste ficamos em um pequeno casebre junto ao campo, conversando noite afora, sabendo que aquilo
poderia ser somente uma ilusão.
Antes que dessemos conta, adormecemos tão rapidamente quanto acordamos, e pela manhã, peguei o trem que me separaria dela para sempre. “Você vai ficar bem” disse ela, e nem sonhava que a carta que eu havia
escrito tinha sido levada pelo vento em uma estação qualquer.
Desejei proteje-la com todas as minhas forças, apenas pensando nela, sempre nela e continuei observando a paisagem pela janela do trem.

Nota:  ”Esse texto foi escrito por um grande amigo meu que agora escreve o blog comigo, como ele não quer ser identificado o chamaremos apenas de “O amigo” se quiserem saber um pouco mais sobre ele leiam a seção ‘ quem escreve ‘”

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