Era mais uma daquelas noites como as anteriores. Na cama ela podia ver as marcas escuras na parece, marcas essas que até hoje ninguém nunca descobriu nem descobriria. Era estranho, era frio, assim como gostava mas algo em especial naquela noite fazia o coração da garota bater apertado, como se estivesse machucado, cansado de trabalhar.
Talvez olhando lá no fundo dos seus olhos você poderia ver a dor que se escondia naquele brilho falso de um olhar vago. Ela se perguntava o que seria de agora para frente? Será que tudo iria novamente acabar de repente?
Uma sensação de medo invadiu sua alma, sentiu aquele aperto como se naquele momento o pequeno coração fosse realmente parar de bater.
Lembrava que as paredes costumavam falar e ela tentava a todo custo ignorar, mas elas estavam novamente lá, malditas paredes, maldita loucura.
Se lembrou de todas as lágrimas que derramou, e de tudo pelo qual lutou, por um instante sentiu como se o ar faltasse e com uma lagrima sofrida no canto do olhar lembrou que ainda era tempo de lutar.
Talvez o sonho não fosse assim tão perfeito, talvez as lágrimas ainda acompanhariam a menina por muito mais tempo. Quem pode na verdade dizer?
Mas ela estava lá, e mesmo com dores em seu corpo se sentia pronta.
Pronta para vencer mais uma vez, vencer cada julgamento, cada palavra hostil, cada medo que a perseguia.
Talvez ela nunca consiga de fato se livrar de todos os fantasmas, muito menos de todas aquelas pessoas com laminas afiadas prontas para retalhar.
Talvez ela nunca consiga com que as malditas cicatrizes sumam, ou que lembranças se apaguem ou que as lágrimas voltem.
Mas ela conseguiu vencer, sim eu sei que venceu, venceu a si mesma.
Travou uma batalha épica contra todos mas a que mais tirou seu sangue foi a imagem distorcida no espelho que insistia em dizer ” Você vai falhar “
Com a força que lhe restava conseguiu finalmente golpear o espelho maldito que insistia em gritar.
Olhou sua mão e lá estava o sangue, doce e vermelho, escorrendo lentamente e levando junto anos de medo e ódio.
Lá estava ela e mais uma cicatriz, mas essa era diferente, não existia vergonha na exibição e sim um misto de orgulho com coragem.
Era o ultimo inimigo a cair, a imagem distorcida, grotesca, tudo aquilo que ela viu durante anos estava agora em pedaços no chão, como dorian gray pode ver sua alma desconfigurada se destruindo, implorando piedade.
Mas já não havia mais tempo para isso, aquela alma maldita nunca mais iria fazer a menina sofrer, nunca mais iria dizer que a menina não iria conseguir.
Com o sangue ainda escorrendo, ela pode observar o monstro morrer e algo novo renascer.
Era um novo começo, uma nova vida, iria doer como sempre doeu, mas agora ela era mais forte, a cicatriz em sua mão era uma prova, prova que ela tinha vencido, vencido a si mesma.
Finalmente.