Olhos de vidro
setembro 16th, 2011 § 3 Comentários

Olhos de vidro, congelados, parados no tempo.
Sem emoção, sem carisma, olhos sem vida.
Lá estão eles a observar o mundo, se eles tivessem boca contariam que tudo é cinza morto e sem vida.
Talvez eles, os olhos, te contariam que um dia foram molhados, cheios de lágrimas, mas mesmo assim diriam que eram intensos, intensos no amar, intensos no sofrer.
O que poderia eu fazer com tais olhos que há tanto me acompanham?
Me divido entre ama-los e odia-los, o céu de não sofrer por não sentir e o inferno de sofrer por não conseguir sentir, o que escolher?
Para falar a verdade nem sei se ainda tenho escolha, a cada dia eles se tornam mais rígidos em sua forma de ver o mundo, mais apáticos, machucados, cansados.
São apenas olhos, mas os olhos transmitem o que a alma quer mostrar e a boca não tem coragem de falar, e os meus bem… só estão lá, parados a observar sem nenhuma reação demonstrar.
Eu
setembro 12th, 2011 § 1 Comentário

Centenas de vezes me vesti com outra pele, perdi a conta de quantas vezes me vesti com minhas palavras.
Assim sem que você soubesse eu podia declarar meu amor centenas de vezes. Sem que ninguém imaginasse eu podia deixar minhas lágrimas caírem sem medo ou vergonha. Podia ser feliz e ser simplesmente quem eu tivesse vontade naquele momento.
Mas agora estou aqui, a musica da o tom que eu preciso enquanto sinto minhas peles caírem e irem para cada vez mais longe.
Sinto-me nua diante de um mundo hostil que não está pronto para me entender nem para me aceitar.
Exposta e sem vida como um manequim na vitrine, apenas parado. Talvez ele sonhe em se mover e conquistar o mundo, mas não consegue, não pode, não foi feito para isso.
Mas novamente estou aqui cansada, sim muito cansada, porém não derrotada.
Sem nenhum disfarce ou personagem, só eu e meu reflexo no espelho.
Cada cicatriz, cada imperfeição, cada milímetro da minha própria imagem, tudo que eu carrego.
Eu no sentido mais completo da palavra.
Sim, eu estou aqui, não vou negar que o escuro lá fora ainda me assusta mas seja lá o que me espera eu preciso enfrentar, mais do que nunca é hora de lutar.
Surto
setembro 11th, 2011 § 1 Comentário

Um texto por ” o amigo “
E estou abalado com pensamentos insignificantes, a chuva acima da minha cabeça, trovões dentro do meu peito. Eu preciso te perguntar algo muito sério, você consegue me desenhar? Eu preciso ver como você se sente. Eu preciso ser o que você sente, meus olhos explodem, minha vida explode. E eu sinto tudo
ao mesmo tempo, isso está me matando. Não consigo recitar seu sorrisos, os quais nunca vi.
Há milhões de paredes na minha frente, você vê o mesmo? Sim, eu escrevo isso pensando em você. Já percebeu?
Acho que você também já percebeu como eu odeio ser presunçoso. Eu sempre presumo errado, sempre.
Isso é sempre ruim. A mesma desculpa não vai adiantar duas vezes.
É por isso que prefiro esperar que você goste de mim, o problema é que isso nunca dá certo. Eu não sou bom o bastante para te atrair para mim,
eu sei disso, mas mesmo assim ainda espero que você goste de mim. Isso parece utópico, mas é assim que eu penso.
Na verdade é assim que a vida me ensinou a pensar. Eu posso dizer isso para você outras vezes.
Guardo meus poemas debaixo do meu amor por você. Eu só consigo ver a luz em que você está; eu só consigo sentir as palavras que você diz, mesmo nunca tendo as escutado. E então eu acordo e penso: isso já virou clichê pra mim, e lembro que das ultimas vezes isso não deu certo. Nunca dá. Eu me sinto miserável, e isso é maravilhoso.
Tudo me faz lembrar de como você faz as coisas, você, em algum lugar, com alguma coisa, de algum jeito me faz sentir em um plasma infinito de boas lembranças, você me faz bem.
Um texto feliz
setembro 10th, 2011 § 2 Comentários

Sábado 14 de maio de 2011. Um dia que aparentemente começava como todos os outros, o sol brilhava, as pessoas estavam em seus devidos lugares fazendo suas atividades assim como era de costume, mas não, aquele não foi um dia normal.
Eu, com minhas fortes convicções medos e desconfianças seguia meu caminho e não esperava nem desejava mudança, mas nesse dia aprendi que algumas coisas a gente não escolhe, algumas coisas escolhem a gente e em uma fração de segundo você agarra ou perde a oportunidade da sua vida.
Eu me lembro de ter olhado em seus olhos e ter enxergado sua alma, você estava lá no canto escuro, pude sentir seu medo e imaginei que você também pudesse sentir o meu.
Novas relações, novas pessoas significavam novos medos e novas decepções, tanto pra mim quanto para você.
Ainda com certa desconfiança me sentei junto aquelas garotas que há tempos já conhecia, elas riam e brincavam, até hoje me pergunto como faziam tudo parecer tão simples. Mas estávamos lá, eu e você.
Tínhamos muitas palavras, mas pouca coragem, eu pude sentir o peso em sua alma e algo em seus olhos me faz simplesmente… falar… E enquanto as palavras saiam da minha boca pude sentir lagrimas nos olhos, afinal como era difícil falar sobre a dor, e em seus olhos eu pude ver a compaixão e o amor, mas eu sabia que você também carregava tudo aquilo e um pouco mais, lembro-me de me perguntar se você teria coragem de se abrir comigo, contar a sua história e deixar que suas lágrimas lavassem sua alma, e assim aconteceu.
Como em um passe de mágica, nós duas, estávamos em um terno momento de amor e compaixão, eu sabia que você podia me entender, no final das contas eu não estava sozinha.
O tempo se passou e cada dia você me provou que merecia muito mais que minha amizade, você merecia minha lealdade, meu tempo, minhas lágrimas e até meu sangue se fosse necessário.
Eu sempre retraída, só a palavra ‘ amor ‘ sempre me fez tremer, mesmo sabendo disso você disse diversas vezes me amor e nunca esperou que eu respondesse da mesma forma, mas hoje queria dizer que talvez na verdade você não tenha nem idéia da dimensão do meu amor por você.
Talvez alguns estejam se perguntando o porquê de eu estar escrevendo esse texto.
Em uma manhã você me fez um desafio, você disse que eu, logo eu, devia escrever sobre algo positivo e que me deixasse feliz, então eu parei e pensei e agora estou aqui, sim, escrevendo sobre você, já que por mais que suas lágrimas tenham tanto peso quanto as minhas você é a melhor parte de mim e infinitas vezes se tornou minha alegria nos momentos mais difíceis, sim Polyana, estou falando de você.
E termino esse texto me sentindo feliz, feliz por você estar ao meu lado e nada mais justo do que acabar com a palavra que mais tenho medo, amor, eu te amo.
Paredes mudas
setembro 9th, 2011 § 4 Comentários

Era manhã de quarta feira, aquela musica estridente do despertador avisava que era hora de acordar.
Mas eu me perguntava pra que acordar? Tudo continuava igual e no fundo nada tinha mudado, os sorrisos eram os mesmos, fabricados, inventados.
Ainda na cama pude observar ao meu redor um pouco da minha história, em cada canto daquele cubo conseguia me ver em diversas situações sentindo todo tipo de emoção, eu vi a dor. Aquelas paredes mudas enfim podiam gritar tudo que me viram sofrer todos aqueles anos, mas não, elas nunca puderam me ajudar, só ficavam lá, quietas como testemunhas silenciadas pelo medo.
O cobertor que me envolvia parecia uma parte de mim, não queria deixa-lo, nem ele queria que eu fosse embora. Pude então ver uma fresta de luz invadindo o quarto, escutei também o som da porta de abrir, o medo invadiu minha alma. Aquilo era o preludio de mais dor.
Você entrou e eu pude escutar sua respiração ofegante e suas palavras confusas e a única coisa que eu consegui distinguir em meio aos gritos era que eu estava errada e que coração eu não possuía, sim, você dizia que eu era má e que sempre estive errada.
Você talvez não soubesse que suas palavras entravam em mim como facas cortando lentamente minha alma, e de lá não saiam, todas as noites ficavam indo e vindo enquanto não conseguia fechar meus olhos e descansar.
Suas palavras estavam lá, sempre estiveram lá.
Quando finalmente a porta bateu busquei ficar sozinha, mas já era tarde.
Eu vi você atravessar meu quarto e ir embora, mas você deixou a dor deixou e o rancor e junto com você levou minhas lágrimas.
A estação
setembro 8th, 2011 § 3 Comentários
A estação começou a ficar cheia de pessoas que voltavam para casa. As calçadas estavam encharcadas por causa da chuva, o ar estava impregnado com o inconfundível aroma de um dia molhado, estava frio.
Até esse momento, a possibilidade de que o trem pudesse atrasar nem havia passado pela minha mente, o que fez meu mal-estar aumentar. Finalmente o trem partiu, e num piscar de olhos os prédios começavam
a desaparecer no horizonte.
O tempo que levou para ir de uma estação até outra parecia uma eternidade, com paradas incrivelmente longas. O horizonte invisível pelo inverno, a caminhada do tempo, a fome angustiante, todas essas coisas aos
poucos enfraqueciam meu coração
Neste momento, ela deve ter começado a se preocupar. Aquele dia que recebi sua ligação, o fato de não ter dado nenhuma palavra de consolo, ainda que eu estivesse inundado por uma tristeza bem maior que a dela,
é algo que sinto muita vergonha.
Escrevi uma carta para lhe entregar no momento em que chegasse, para expressar sentimentos que talvez eu não conseguiria falar, coisas que ela teria que sentir sozinha.
Finalmente o trem chegou, com seu momentâneo atraso de 3 horas e alguns minutos, e lá estava ela, ainda me esperando. “Logo fecharemos a estação, não circulam mais trens” disse o homem.
Saímos andando, e lá estava, a árvore da nossa infância, a cerejeira, que de alguma forma lembrava a neve caindo. Naquele momento, no fundo de nossos corações, nossos sentimentos ficaram nítidos para mim.
Foi como se eu tivesse entendi tudo o que havia acontecido comigo nos últimos 16 anos de vida.
E também os instantes que estavam por vir. Me tornei insuportavelmente triste, o calor dela, como deveria trata-lo? Onde poderia leva-lo?
Era algo que eu desconhecia, o fato de que não poderíamos ficar juntos para sempre depois do que estava prestes a acontecer. Isso era algo que
ela obviamente compreendia. As imensas vidas que teríamos frente a nós. A infinita quantidade de tempo que passava inevitavelmente, se prolongava ao momento em que nossas cabeças se aproximavam.
As preocupações que eu tinha em mente desapareceram, e só o que permaneceu foram os ternos lábios dela. Aquela noiste ficamos em um pequeno casebre junto ao campo, conversando noite afora, sabendo que aquilo
poderia ser somente uma ilusão.
Antes que dessemos conta, adormecemos tão rapidamente quanto acordamos, e pela manhã, peguei o trem que me separaria dela para sempre. “Você vai ficar bem” disse ela, e nem sonhava que a carta que eu havia
escrito tinha sido levada pelo vento em uma estação qualquer.
Desejei proteje-la com todas as minhas forças, apenas pensando nela, sempre nela e continuei observando a paisagem pela janela do trem.
Nota: ”Esse texto foi escrito por um grande amigo meu que agora escreve o blog comigo, como ele não quer ser identificado o chamaremos apenas de “O amigo” se quiserem saber um pouco mais sobre ele leiam a seção ‘ quem escreve ‘”
O caderno
setembro 6th, 2011 § Deixe um comentário

O caderno estava no canto escuro e sem iluminação do quarto, nele estavam escritos anos de sentimentos, de história de dores e amores.
Lá estavam as palavras que me perseguiam todos os dias ao levantar e ao ir dormir.
Olhei e olhei e não sabia o que fazer, não sabia se devia simplesmente sentar e aceitar a minha dor ou encarar tudo como um recomeço, mais um, depois de tantos.
Pensei em abri-lo, mas tive medo, subitamente uma sensação de desespero tomou conta de mim. Deveria mesmo encarar novamente toda a dor? Deveria abri-lo e aceitar as palavras como uma parte de mim?
Deveria continuar a escrever a história que eu mesmo tinha colado um fim?
Eu sabia que elas estavam lá, e que juntas aquelas letras contavam sobre minhas lágrimas, sobre minha coragem e meus medos… Mas eu me lembro bem de todas elas foram escritas em mim como facas perfurando a pele, e então finalmente assumi, eu estava assustada, muito assustada.
Lá estava eu no canto escuro com o caderno na mão e muitas duvidas na cabeça, encarar aquelas palavras na verdade significava que estava na hora de aceita-las e seguir em frente escrevendo novas histórias dia após dia.
Em minhas mãos eu podia sentir o peso da minha vida da minha história, ao finalmente abrir pude ver todas as paginas manchadas com lagrimas e escritas com sangue. Deixei que mais uma lágrima manchasse o caderno, li sobre meu amor e toda dor que ele me causou, li sobre minha família, sobre minha luta constante para sobreviver em meio a tudo que eu considerava tão assustador.
Quando já não aguentava mais ler e meus olhos já não aguentavam mais chorar percebi que mesmo em meio a tanta dor eu sempre estive ali, não só pedindo um pouco de ar e sim lutando para conseguir o meu ar. Não era muito, mas era tudo que eu tinha, eu tinha… esperança.
Então mesmo que eu não saiba se futuramente poderei escrever sobre alegria ou sobre risadas, eu continuarei aqui.
Enquanto puder respirar vou transformar as emoções em palavras para que elas falem por mim tudo que eles não conseguiram entender.
Sei que é difícil ter coragem quando tudo se quer é deitar e descansar, mas agora eu sinto que eu tenho que continuar.
Não é a hora de desistir de lutar.